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20 de janeiro de 2015

História

HISTÓRICO

Parte I

Nos anos de 1901 a 1902 um grupo de amigos reuniu-se na Ilha de Bom Jesus dos Passos, para fundar a 1º Filarmônica da Ilha com o nome de Filarmônica Lira dos Artistas.

Foram fundadores os seguintes senhores da ilha, pessoas de prestígio, artistas locais e grande idealizadores: Cassimiro José dos Passos, Manoel Emílio Pereira, Francisco Soares Falcão, José Matheus e Apolônio de Tal.

No dia da inauguração da Filarmônica Lira dos Artistas, houve um grande baile a rigor, quase todos os homens usavam fraque, casaca, cartola, e as moças e senhoras, todas de roupas finas, de chapéu e leque participaram do grande baile que terminou às duas horas da manhã. E com toda pompa e orgulho, a referida Filarmônica acabou nesse mesmo dia por desentendimento dos fundadores, porém o maestro Melão, irmão do Tenente Alexandre Melo, nunca deixou de lembrar-se dos acordes da Valsa da Noite e dos dobrados tocados na Missa Solene.

Anos Passaram, mas o povo nunca esqueceu de ter sua Filarmônica, e com toda pompa e orgulho, doze anos depois, fundaram outra Filarmônica, ou reativaram a Lira dos Artistas, com o nome da Filarmônica União dos Artistas, no dia 27 de julho de 1914. Reuniram-se na casa de Pedro Bezerra (casa de Antônio Rocha Santana), os seguintes artistas e conservadores da tradição local: Enéas Brito Pereira, Antônio Pereira Filho, Manoel Emílio Pereira, Antônio Tiburcio Costa, Adalberto Lessa, Milton da Conceição, Alexandre Teixeira Lima, Juvenal Lessa, Djalma Nunes da Silva, Américo Correia, Durval de Brito, Urculino Pereira, Renério de Brito Pereira, Demóstenes Pereira, e como mestre, Augusto Macedo.

Por não ter casa própria, a Filarmônica mudou-se para a casa de Dona Lisaldina Pereira (Peixinho), na Rua do Fogo, logo depois foram para a Rua das Flores na casa dos herdeiros de Lourival Ramos, que pertencia a Cassimira Pereira (mãe Cassi), e a mesma era de Renério e Eneas Pereira, esta casa era denominada de Casa Branca da Serra, saíram desta casa e foram para a casa de Sizinha Pereira, na Rua do Nordeste, hoje casa dos herdeiros de Heli Ramos. Anos depois foram se fixar na praça Comendador Neiva, na casa de Dona Ana Menezes (irmã de Dr. Inácio, Veranista da Ilha), que tinha um Orfanato de Moças em Santo Amaro da Purificação, e todo fim de ano vinha com essas moças veranear na ilha.

Era uma beleza, porque os rapazes galanteadores jogavam seu charme para conquistar as mocinhas. A Filarmônica ficou nesta casa mais ou menos um ano, onde a diretoria dedicada alugava sempre, com as maiores dificuldades para sobreviver.

Houve eleição para nova diretoria e nesta época por motivos políticos residia em nossa Ilha o Coronel Manoel Duarte de Oliveira, homem de pulso, com enorme liderança política baiana e boa situação financeira, que assumiu o cargo de Presidente da Filarmônica, tendo como Vice-presidente Adalberto Lessa, Tesoureiro, Ofenísio Guedes Lessa , Secretário Edgar Santana, Conselheiros, Agostinho Passos, Lourival Ramos, Almiro Passos e outros. O novo Presidente notou a situação e sentiu que deveria mudá-la,então propôs a compra do prédio a Dona Ana Mercedez e ela aceitou, pedindo pelo imóvel a quantia de um conto de réis, foi aceito pela Diretoria e o imóvel foi doado pelo Coronel Duarte para o povo de Bom Jesus. Logo segui para Santo Amaro o Sr. Ofenísio Lessa, para casa da proprietária na Rua Direita, número 16, para compra do imóvel e de lá seguiu para ser lavrada uma escritura de compra e venda em nome da Filarmônica Musical União dos Artistas, depois foi a Vila de São Francisco do Conde registrar no Cartório de Juvenal Queiroz.

Houveram várias crises, então assumiu a Presidência o Sr. Agostinho José dos Passos, que dedicou-se com muito amor e tendo como companheiros: Enéas Pereira, Egás Pereira, Lourival Ramos, Ofenísio Lessa, Alvaro Guimarães, Olendino Santana, Cézar Donatilo dos Santos e outros, deixando a Presidência da Filarmônica depois de muitos anos, no dia da sua morte e aniversário da mesma, 27 de julho de 1976, assumindo o cargo o Sr. Enéas Pereira.

Até nossos dias tivemos como presidentes os seguintes senhores: Cassimiro José dos Passos, Manoel Duarte de Oliveira, Agostinho José dos Passos, Enéas Pereira, Francisco Ramos, Cézar Donatilo dos Santos,  Francisco Behrmann Ramos, José Teixeira Lima, Edvaldo Guedes, Raimundo Alcântara, Jaime de Santana, Antônio Rocha Santana a atualmente Genésio da Silva.

Voltando ao ano de 1948, a Filarmônica tinha como presidente o Sr. Agostinho Passos, vice Enéas Pereira, Tesoureiro, Lourival Ramos e secretário, Egás Pereira que conseguiram trazer para mestrar o Tenente reformado Jorge Santos, que residia em Salvador, vindo morar em Bom Jesus com sua família que com muito entusiasmo e dinamismo organizou, juntamente com sua esposa Clélia Oliveira Santos e as demais senhoras dos músicos, as senhoras: Corina Farias Ramos, Floricéia Sá Barreto Cidade, Hildete Santana Pereira, Diva Santana Rosa, Elza Rosa Ramos, e Zélia Lima Farias,a festa de Santa Cecília, que com muito garbo era festejada no dia 27 de julho, com Missa Solene, à tarde procissão pelas ruas de Bom Jesus e à noite um grande baile, com todos bem preparados e não deixando de ser exigido paletó para os homens. A última festa de Santa Cecília que houve foi no ano de 1975 e encerrou, pois até a Imagem da Santa os vândalos quebraram.

Os músicos antigos tinham verdadeiro amor e dedicação pela Filarmônica e não cobravam honorários. Amavam a arte musical, eram verdadeiros artistas do povo, carpinteiros, pescadores, artistas em apresentação popular, calafates e pedreiros, etc... Não esquecendo  que a nossa Filarmônica foi uma mãe para muitos filhos da Ilha, que hoje wstão aposentados ou ainda servindo na Polícia Militar ou Corpo de Bombeiros como músicos.

Tínhamos também alguns oradores, dentre eles lembramos dos Srs. Arlindo Mata-virgem, Olendino de Santana e Feliciano Benedito Pereira, nas poesias ao ‘’2 de julho’’ e outros eventos.
Tivemos como mestres: Valongo, João Borges de Lima, Carlos Clarindo, Ozéas, José Cearense, Luiz Behrmann, Carlos Teixeira, Jorge Santos, Adalberto Nolasco Behrmann, Sb-Tenente Moncorvo, Sargento Antônio Lessa, Sargento Claudionor Bessa, Sargento Miguel, Sargento Menezes e atualmente Sargento Antônio Lessa.

No ano 1974 comemoraram-se os 60 anos da Filarmônica com uma bela festa, onde foi escolhida a mais Bela Rosa, que coube à Senhorita Mônica Figueiredo Teles com muita simpatia. Na mesma noite foram condecorados todos os músicos, com entrega de medalhas também a pessoas dedicadas a mesma Filarmônica, durante o dia no serviço de alto-falante foram tocados velhos dobrados emocionando a todos que ali passavam.

A nossa Filarmônica era tão acreditada pelo nosso Recôncavo Baiano que mais ou menos em 1937, quando houve um Congresso Eucarístico na ilha de Itaparica, ela foi convidada para tocar na Procissão do Santíssimo Sacramento, e o fato inédito foi que todos os músicos esperaram o Santíssimo Sacramento passar, tocando de joelhos o Hino do Congresso. Esse fato foi comentado por todos os presentes e anos passados o nosso orador Feliciano Pereira em Viagem a Brasília ficou emocionado por ver em uma placa uma homenagem a nossa Filarmônica.

Mesmo com crises bastante difíceis de serem resolvidas, a sede da Filarmônica nunca deixou de ser recuperada por aqueles amigos da mesma, tendo sempre ocorrido carnavais que nos deixam saudade, e tivemos Rainhas como : Maria das Graças Santana Pereira, Ercília Sacramento, Célia Teixeira Lima (falecida), Celma Maria de Santana, Edelvira Farias, Mary May, Liane Coutinho, Ainda Maria Silva, Eliane Sacramento, Maria José Correia, Telma Lessa, Vanda Lessa.

Durante anos foram interrompidos todos os festejos da Filarmônica, ficando a sede sempre cedida para festas particulares, bingos, apresentação de bailes pastoris, peças teatrais e reuniões.
O prédio atual foi  reformado pelos senhores Inácio Silvestre Santos e Antônio Rocha Santana e outros, atualmente estamos tendo muita dificuldade e trabalho para colocar tudo em ordem, e organizarmos nova Filarmônica.

Esta 1ª parte do  histórico foi baseado em entrevista com o pintor Ofenísio Guedes Lessa, músico da referida Filarmônica, feita por Isolino José dos Passos e Agolinda Guimarães Passos, ao lado da igreja da ilha, nas belas tardes de sol, com muita graça e críticas, e também muitos contos de outras pessoas. Queiram desculpar por falhas ou fatos relevantes não mencionados.

Ilha de Bom Jesus dos Passos, 25 de Julho de 1998.

Parte II

No ano de 2000 à 2003 foi eleito o senhor Adalvo Nunes da Silva. Logo a seguir  no ano de 2004 à 2007, o jovem Ednaldo Farias dos Santos, foi eleito. Já no ano de 2008 à 2012, Juraci Cidade Conceição foi escolhido para presidente da Sede e junto com a diretoria, apesar das dificuldades, sempre tentou recordar as antigas e belas festas de Santa Cecília e resgatar a filarmônica, mas sem sucesso. Neste período a Secretaria Municipal do Município, através do Secretário João Carlos Bacelar, por iniciativa de seu amigo Josias de Souza Monteiro, implantou na Escola Municipal Dr. Antônio Carlos Magalhães localizada na Ilha de Bom Jesus dos passos, o projeto Filarmônica na Escola, e o professor de música Josias de Souza Monteiro juntamente com Toinho Carolino na época Assessor do Secretario e atualmente Vereador de Salvador-Bahia, vieram conhecer a realidade da ilha. Daí, acharam que a Sede da Filarmônica seria ideal para que o projeto fosse implantado. Conseguiram com menos de um ano colocar a Filarmônica com cinquenta componentes entre alunos da escola e jovens moradores, onde atualmente cerca de mais 80 crianças estão em fase de preparação e  esperando novos instrumentos para serem inclusos na Banda de Musica. Em novembro de 2012 houve outra eleição para o triênio de 2012 à 2015, onde foi eleito o músico trompetista Fábio Ramos de Alcântara, que juntamente com os outros membros da diretoria, recebeu a Filarmônica  pronta para apresentações em qualquer evento, com 50 instrumentos novos, fardamento, bem como o prédio onde esta a sede da Filarmônica totalmente reformado pela Secretaria de Educação da Cidade do Salvador, através do empenho do entusiasta e amante das filarmônicas, o Deputado Estadual licenciado João Carlos Bacelar, então Secretario de Educação do Município de salvador.

Obs: Os componentes das diretorias antigas não tiveram a sorte das diretorias atuais, pois nunca houve interesse por parte do poder público para ajudar a nossa bela Filarmônica, que há mais de 40 (quarenta) anos estava desativada.  Sabendo que nossas crianças e jovens estão tocando tão bem, nos trazendo tantas recordações e que a nossa ilha é um celeiro de músicos, além do fato destas crianças estarem com o futuro garantido é que devemos agradecer ao Maestro Josias de Souza Monteiro, pelo seu empenho pela causa da Filarmônica, e grande interesse que o mesmo tem demonstrado pela nossa União dos Artistas hoje com 101 anos de fundação.

Pedimos desculpas, por falhas ou fatos não mencionados.

Ilha de Bom Jesus dos Passos, agosto de 2015.